A Grampline

“Na época, nós fomos a quarta empresa de grampeadores a abrir no Brasil.  Nenhuma das três primeiras existe hoje.

Por que eu acho que tivemos sucesso? As outras eram grandes, o processo de tomada de decisões era mais demorado. Nós éramos pequenos, tínhamos mais proximidade com o negócio e tínhamos também muita determinação.”                                     

 

Paulo Werson Jr, CEO da Grampline.

 

NOSSA JORNADA

Na periferia de São Paulo, Walter, o filho mais velho da família Werson já mostrava traços de um verdadeiro empreendedor. Ele tinha 16 anos e comprava seu primeiro carro com o dinheiro ganho com montagem de ratoeiras. Para acompanhar a alta demanda da fábrica, Walter tinha contratado todos os meninos da rua.

Enquanto isso, o filho mais novo da família, Paulo Jr., sempre tivera um interesse especial pelo funcionamento de aparelhos e máquinas. Era só ter uma chance para começar a montar e desmontar qualquer coisa que parasse em suas mãos. Sem saber, Paulo tinha a curiosidade e o poder de observação de um verdadeiro engenheiro.

Os dois irmãos eram filhos de Paulo Werson. Descendente de italiano, apesar do seu jeito ríspido de falar, ele era conhecido por seu bom coração e sua integridade. O patriarca, que fazia tudo pela família, ensinou seus filhos a agirem sempre com coragem.

Mas foi sem se atentar a qualquer uma dessas habilidades que os dois irmãos, juntos do pai, começaram um negócio. A ideia inicial era de revender chapas de aço que sobravam das empresas automobilísticas, mas depois de diversas viagens e manobras com o caminhão lotado, os planos da família Werson mudaram.

Um pedaço de papelão repuxado e bem cortado deu vida ao que viria a ser o primeiro grampeador Grampline, o G752, desenhado por Paulo Werson Jr. Depois de muito tempo estudando aquele molde, ele decidiu que o protótipo estava pronto. Bastava seguir com uma produção terceirizada.

Mas quando os primeiros produtos foram revisados, as falhas de produção eram aparentes. Continuar com a terceirização seria arriscar um produto de má qualidade. Fabricar os próprios produtos seria adentrar um território que nenhum deles conhecia. O fracasso não só significaria um negócio mal sucedido, mas o fim de um projeto de vida. E isso não era uma opção. A integridade falou mais alto.

Com o foco muito claro em mente de que seus produtos deveriam se destacar pela qualidade e funcionalidade impecáveis, a família decidiu agir com coragem e enfrentar o desconhecido. Após diversas tentativas e erros, com as próprias mãos e as máquinas que conseguiram comprar, eles começaram a fabricar os produtos da Grampline.

Um pedido de 40 mil grampeadores da Caixa Econômica Federal fez com que a empresa deslanchasse e conseguisse comprar um galpão novo para alocar novas máquinas. A Grampline estava caminhando para a direção certa. Os grampeadores vendiam-se por si só, o produto era bom e apreciado pelo setor. Com o know how adquirido, estava na hora de pensar em outros artigos para compor a linha.

E foi analisando sob o ponto de vista do usuário, que Paulo Werson Jr. aos poucos montou o que ele considerava o suporte de fitas ideal. Ele testou o peso do equipamento, estruturou o corte da lâmina, pensou sobre as variedades de fitas que o suporte comportaria e estruturou qual seria o design mais moderno e favorável para o consumidor. A partir disso, nasceu o suporte de fita SF 2000. Um equipamento inovador que até hoje é referência no setor.

Mas mesmo com a criação de produtos inovadores, a Grampline também foi afetada pela abertura do mercado em 92. Os baixos custos de produção favoreciam a concorrência internacional e abriam frentes para novos produtos. Para entender as mudanças, estava na hora de dar um novo salto ao desconhecido.

Foi sem falar inglês que Paulo Werson Jr. fez sua primeira viagem para os Estados Unidos. Outras viagens seguiram a primeira até que ele participasse assiduamente de feiras internacionais do setor e a Grampline passasse a incorporar produtos importados ao seu catálogo.

A atmosfera de mudanças levou a uma importante inovação. Em 2005, a Grampline foi a primeira empresa nacional a fornecer refil de tinta para marcadores de quadro branco, pensando ainda mais no consumidor e no meio ambiente.

Pouco tempo depois, uma reviravolta exigiu a reestruturação do modelo de negócios da empresa. Em 2010, a fábrica pegou fogo, acabando com a maioria do maquinário da empresa.

A família tinha mais uma difícil decisão a tomar em um cenário completamente diferente. Agora, o mercado estava aberto. Eles poderiam colocar todas as fichas na importação de produtos e abandonar produções autorais, arriscando perder seu diferencial, ou poderiam arcar com os custos de reconstruir a fábrica do zero.

A solução veio com uma terceira opção. Conhecendo as preferências do consumidor brasileiro, a família decidiu que continuaria fabricando os produtos desenvolvidos pela Grampline, mas em fábricas internacionais. Com isso, a empresa conseguiu manter sua essência e singularidade. Ao mesmo tempo, a importação de outros produtos permitiu o aumento do portfólio.

O sucesso só foi possível graças aos valores de ética e determinação da família, que continuou sempre unida, mesmo após perdas imensuráveis.

Em 2012, o patriarca Paulo Werson faleceu. Dois anos depois, em 2014, o irmão Walter Werson foi vítima de câncer. O legado que a família construiu foi passado adiante para as próximas gerações. Hoje atuam na Grampline o fundador Paulo Werson Jr., junto de seu sobrinho Caio  Werson e sua filha, Natália Werson.

Outra pessoa importante nessa história foi Lúcia Baccaro Werson, também falecida em 2015. A amada matriarca sempre manteve a família unida e sempre acreditou no sucesso de seu marido e filhos, dando o amor e o apoio necessário em todos os momentos.

A união e a ética, presentes no coração da família Werson, permitem que os valores da empresa sempre prevaleçam e fazem da Grampline o que ela é hoje, uma empresa que foi a quarta a entrar no setor e a única dentre essas quatro primeiras a existir até hoje. Uma empresa que começou tão simples quanto seu logotipo – um homem sentado em seu escritório – e que hoje, 27 anos depois, conta com 230 produtos em sua linha.  Uma empresa que, assim como seus fundadores e funcionários, tem um grande poder de transformação, resiliência e possui a qualidade e a inovação como seus alicerces primordiais.